quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sobre direito de escolha ("Cultura Digital", de Rogério da Costa)

Interessantes as reflexões acerca do excerto de "Cultura Digital". Trouxe à tona, além da questão dos formatos atuais de televisão e a premissa da interatividade constante, um assunto que intrigou a turma: onde a evolução tecnológica pode nos levar?
As opiniões foram divididas: enquanto alguns acham possível a educação para garantir a socialização em detrimento da interação exclusiva com janelas e interfaces (o direito de escolha entre comprar faixas digitais de música na loja do iTunes e comprar um CD em uma livraria com espaço físico), outros temem aonde o excesso de tecnologias pode levar a comunicação humana.
Ambas as opiniões têm fundamento: a questão de opção remonta à antiga fantasia com a "comida de astronauta", todos os nutrientes e toda a saciedade de uma refeição em uma pequena cápsula. Tal subterfúgio poderia ser prático em algumas situações, mas, mesmo assim, uma refeição caseira ou um jantar fora de casa são indispensáveis para qualquer um. O mesmo ocorre com a tecnologia, que pode ser útil e enriquecedora em certas situações, mas não substitui a socialização com iguais. Mesmo o encontro com os contatos de instant messenger é muito mais recompensante que uma conversa quilométrica.
Por outro lado, o medo dos que vêem a tecnologia como um gigante de incontrolável crescimento, indomável, é o de que a comodidade das novas formas de realizar tarefas cotidianas tome o lugar de antigos costumes, como o de acordar cedo e ir à feira ou o de ler o jornal impresso de cabo a rabo. O fácil acesso a qualquer tipo de informação ou produto preocupa os que valorizam experiências socializantes, como as conversas com a senhora da fruteira. Mais importante do que conversas corriqueiras, porém, é o medo de que a próxima geração resuma o tipo de informação que quer receber a meras futilidades, ficando à parte do que acontece fora do universo criado por ela.
A conclusão foi a de que é preciso saber usar a tecnologia para acelerar a produtividade e curtir sua praticidade, não deixando que ela reduza nossas relações a meros logs de MSN. Interatividade digital é ótima, mas tudo tem um limite.

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